17- El Camino Central Portugués

Alex          Fue todo un honor para mí colaborar con Alex Dos Santos Ratos en la re-señalización del Camino Portugués, en el que debuté como peregrino hace ya algunos años. Me correspondió el tramo entre Azambuja y Santarem y la salida de Lisboa, que hice con mi compasñero y amigo Francisco Arroyo, alias “pacodevalladolid”, mientras Johanne índiceDufoour (canadiense) y Begoña Valdomar lo hacian en el tramo precedende para doblar resultados. Los cuatro juntos nos autodenominámos el equipo Ω, porque constituimos la última brigada del proyecto de señalizar el tramo entre Lisboa y Oporto. Alex saltaba de un punto a otro en un IMGP0042 - copiatodo terreno dando instrucciones y consignas. Él fue el gran promotor como gran conocedor e investigador del terreno, que supo despertar el impulso de la AGACS, y a través de ella de unos cuantos chalados y enamorados del Camino que saltamos a la llamada. Que admirable llamada, que excepcional respuesta y que hermosa locura, a tono con las inusitadas vivencias que despierta el Camino de Santiago.

O CAMINHO CENTRAL PORTUGUES ENTRE LISBOA E O PORTO. A HISTÓRIA
Alexandre dos Santos Rato

Ribeira-de-Santarém-Vista-Miradouro-07          Foi em uma manhã gelada em 2002 que a Ribeira de Santarém, juntou três almas que tomaram os primeiros passos para o que mais tarde se tornou a grande aventura de redescobrir o Caminho Central Português no seu trajecto entre Lisboa e Porto.

          Doze anos se passaram desse momento e isso permite-nos com uma certa equidistancia escrever um pouco dessa história e contá-la no que começou como um compromisso pessoal e veio a tornar-se no compromisso de algumas dezenas de pessoas, mas esse foi o fim, e não o início desta história.

  12341213_986048201456453_7240486544702327939_n        A sua primeira parte – desta longa história -, ocorreu nos primeiros anos dos anos 90 do século XX, quando os membros da Associação Galega Amigos do Caminho de Santiago começaram a investigação do trecho entre Tuí-Santiago, abrir a velha rota portuguesa para a sinalizar acabando por publicar o primeiro guia do Caminho Português no Ano Santo de 1993.

A02_Valenca          Logo, ombro a ombro trabalhando a AGACS com a recém-nascida Associação de Valença do Minho dos Amigos do Caminho de Santiago, e em colaboração com o Padre Manuel Dias recuperam o trajecto Português entre Ponte de Lima e Valença do Minho, sendo esta a primeira vez que portugueses e galegos e trabalharam juntos nas nossas rotas jacobeias.

          Ambas as associações irmãs apresentaram conjuntamente o levantamento, identificação e marcação da primeira parcela em Portugal, durante o IIIº Encontro dos Portugueses Caminhos de Santiago, realizada em Valença do Minho, na primavera de 1995 e, tal como já havia acontecido antes com o trajecto Tuí – Santiago, foi publicado o guia desta secção – o primeiro em Portugal.

A04_Ponte_de_Lima          Nessa altura já ninguém podia deter o avanço do Caminho Português, e logo surgem novas associações jacobeias em Portugal, enquanto a Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago-, de Ponte de Lima, a conselho do falecido Alfredo Jeremias, membro fundador dos AGACS continuou pesquisa Caminho Português Central entre Porto, Barcelos e Ponte de Lima.

          E de repente eis que – por estranhas circunstâncias, que não são o caso -, apesar do interesse de peregrinos de todas as nacionalidades, o Caminho fica “adormecido” no Porto e assim permanece vários anos, até que em 2002, um velho café de Valença do Minho se sentaram José Antonio de la Riera pela AGACS, Rafael Estanqueiro pela Associação de Valença, Djalma de Souza, da Associação do Norte de Portugal, um representante da Associação do Caminho Português de Ponte de Lima e eu.

          E foi ali, sentados numa mesa de café junto ao rio Minho que apresentei a proposta para recuperar o trajecto Lisboa – Porto até ao ano Santo de 2004. Na verdade, e apesar de todos eles pensaram que eu era um louco, todos deram o seu apoio.

          Naturalmente, de imediato surgiram as questões foram levantadas algumas questões que achamos pertinentes:
– Que Caminho?
– Como investigar um Caminho em um país onde todos os municípios chamam a si um pedido de “Caminho de Santiago”?
– Como investigar na terra de “mil caminhos”?

Paulo Caucci          A resposta naquela mesa foi imediata feita em uníssono: O Caminho Central, pesquisado e já fixado entre ou Porto a Valença e continuou na Galiza entre Tuí e Santiago, baseado no relato de Gianbattista Confalonieri (1594), e utilizando a metodologia preconizada pelo presidente do “Comité Internacional de Expertos del Camino de Santiago da Xunta de Galiza “Paolo Caucci para a identificação de um “Caminho de Santiago”.

          Assim se iniciou o trabalho de investigação do Caminho Central Português a Santiago com base na metodologia proposta pelo presidente do “Comité Internacional de Expertos del Camino de Santiago” para a identificação de um Caminho de Santiago e que assenta nos seguintes pressupostos:
– Os relatos de Peregrinos – “Odepórica”;
– Repertórios de Viagem;
– A Assistência: Hospitais e Albergues;
– Lendas, Tradições, Toponímia; Iconografia;
– Comprovados pela Cartografia Histórica.

          No entanto estes pressupostos devem acontecer em simultâneo e na sua aplicação prática deve-se ter em atenção a “segurança dos Peregrinos” (ICE e UNESCO).

          De uma forma conceitual a nível de investigação podemos afirmar que: «Um Caminho de Santiago é itinerário perpetuado no Espaço e no Tempo pela passagem de Peregrinos, comprovado através da odepórica (relatos); reportórios de viagem; uma rede assistencial; património imaterial (Lendas, Tradições) e material (arquitectónico – civil ou religioso); e comprovado por uma cartografia histórica.» (Alexandre Rato; 2014)

          E assim com este conceito sempre presente que de imediato ao relato de Confalonieri se juntaram os relatos de peregrinação, de:
– Jerônimo Munzer (1495)
– Edme Saulieu, Abade de Claraval (1533)
– Bartolomé Villalba y Estaña (1571)
– Lassota de Steblovo Erich (1581)
– Jacobo Sobieski (1611)
– Cosme III de Medicis (1669)
– e Nicola Albani (1745).

          Os passos desses peregrinos foram nossa companhia durante dois longos anos… E assim, lentamente, centímetro a centímetro, o velho caminho que sai de Lisboa seguindo a Sacavém, Vila Franca de Xira, Azambuja, Cartaxo, Santarém, Tomar, Ansião, Rabaçal Cernache, Coimbra, Mealhada, Águeda, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, Grijó e Porto finalmente, estava a surgir pela primeira vez em muitos anos na cartografia militar de 1:250.000.

João Afonso e a assistência hospitalar na Santarém Medieval          Mas se ajudaram os relatos de peregrinos, também bem o fizeram as confrarias e misericórdias, que abrigavam não só peregrinos mas os pobres, necessitados e viajantes, o que também reflete a passagem de peregrinos. E eis que ali – sobre as povoações já identificadas -, estavam eles, os antigos Albergues e Hospitais ao longo do Caminho: Os Hospitais de Lisboa e em Sacavém; os albergues de Alverca e Alhandra; O Hospital da Castanheira do Ribatejo; e o albergue da Azambuja; o Mosteiro das Virtudes no Cartaxo; Torre do Antigo Convento da Trindade - Des. de Braz Ruivoo Hospital da Ordem dos Hospitalários em Santarém e o Convento da Santíssima Trindade de Santarém; o Hospital da Azinhaga e o albergue da Asseiceira; Tomar com e os seus hospitais e albergues – sem falarmos da rica Albergaria do Convento de Cristo -, que eram quase tantos, quantos os de Lisboa; o albergue do Alvorge e o desaparecido hospital do Rabaçal; o Hospital Real de Coimbra, os albergues da Mealhada; Águeda; e o mais antigo de todos Albergaria-a-Velha; assim como este Mosteiro de Grijó que ao longo dos séculos, tantos peregrinos acolheu.

          E aqui não contamos das muitas Vendas e Estalagens que por Decreto-Real eran obrigados a dar guarida gratuita ao peregrino. E assim seguíamos, centímetro a centímetro levantando caminho… e este ia surgindo, cada vez mais definido.

hg-4124-v_0005_rosto_t24-C-W0140          Mas para nós o trabalho de levantamento do caminho não estava completo, nem totalmente justificado, e o “Mappa Portugal: Antigo e Moderno” João Baptista de Castro (1762-1763), um repertório de viagem do séc. XVII, que apresenta plasmado todo o Caminho, corroborando desta forma o itinerário percorrido pelos peregrinos.

          Mas não é só João Batista de Castro que nos confirma este itinerário, o mesmo também é confirmado por outras obras, portuguesas e estrangeiras nomeadamente assim como na obra de Pedro Juan Villuga e Juan de Espinosa “Reportorio de todos los caminos de España”.

Ponte do cabeço do Vouga em Lamas do Vouga, Águeda          Mas e o S. Tiago? onde andaria o nosso S. Tiago pelo qual tantos peregrinos iam a Compostela? Ele está ali como sempre esteve, sempre na beira do seu Caminho para quem o quisesse ir visitar antes de chegar à meta… e é ele o de Lisboa, de Camarate, de Santarém, de Tomar, de Ariques, o da Guarda, o de Coimbra e de Trouxemil (graças a devoção de Afonso III), o da Moita (Anadia), o de Riba de Ul… e aqui ao lado… do Monte… sempre perto, sempre vigilante dos seus peregrinos. Mas também o encontramos sobe outras formas como na ponte de Lamas (Águeda) ou na lenda da “Ponte do Cavaleiro” e da conversão de D. Loba ao cristianismo…

          E sobre lendas não nos ficamos por aqui pois se algumas são ricamente descritas nos relatos de peregrinos como a Lenda do Santíssimo Milagre; de Santa Iria; outras há como a já referida lenda da “Ponte do Cavaleiro” que nos aparecem nomeadamente a lenda da esmola ao Ancião, ou da Ponte da Cal relacionadas com a Rainha Santa Isabel também ela peregrina, sem falarmos do seu milagre das Rosas bem mais conhecido.

Milagro Eucarístico de Santarém          Mas não era só Filho do Trovão que nos acompanhava… pelo caminho encontrábamos diversos santuários como da Nossa Senhora da Saúde (Sacavém); do Senhor Jesus da Boa Morte (Vila Franca de Xira); do Santíssimo Milagre (Santarém); da Rainha Santa e de Santo António dos Olivais (Coimbra); de Nossa Senhora do Socorro (Albergaria-a-Velha); ou o da Nossa Senhora da Saúde (Gaia)… mas também outros bem curiosos e interessante para os peregrinos como a Capela de São João Baptista da Ventosa na Azinhaga (Golegã) que debido à sua união com Sacrossanta Basílica de São João de Latrão, em Roma, recebeu do Papa no inicio do séc. XVI indulgências especiais, a serem ganhas pelos fiéis que a visitassem em certos dias do ano ou o menor mas importante para as maleitas dos nossos peregrinos o sui generis “Banho Santo” de Ansião.

Carta militar das principaes estradas de Portugal          “A carta militar das principais estradas de Portugal” de Lourenço Homem da Cunha de Eça vêm demonstrar que estamos perante um itinerário histórico mas foi capital o acesso as “Cartas Corográficas do Reino”18 do Instituto Geográfico do Exercito em 2002 que nos vem confirmar todo o trabalho anterior realizado até aqui porque este é o primeiro trabalho geodésico realizado em Portugal permitindo assim a sua transposição quase que fiel para a cartografia actual de 1: 25.000.

as grandes vias da lusitania          E assim com o apoio de Mario de Saa e as suas “As Grandes Vias da Lusitânia” – obra importante apesar de todo o celeuma que a envolve -, e as teses de Doutoramento do Professor Vasco Gil Mantas “A Rede Viária Romana da Faixa Atlântica entre Lisboa e Braga“ e de “Transportes e comunicações em Portugal, Açores e Madeira (1750-1850)”19 de Artur Teodoro de Matos que além das vias terrestres nos fala de passagens de barca e transportes fluviais mas que presentei com o “Reconhecimento feito à estrada de Lisboa ao Porto em Março de 1835“ relato que nos permite compreender e localizar, as vias existentes e a sua importância dos seus itinerários antes da construção das Estrada Reais do segundo cartel século XIX.

          Foram principalmente estas obras – apesar de nos termos aconselhado com outras de origem local -, que nos abriram caminhos e perspetivas no campo viário e serviram para não nos perdermos em divagações e realizar um célere trabalho de campo.

Doble Señalización          E assim, a 4 de Agosto de 2004, ali estávamos nós no escritório do Plan Xacobeo da Xunta da Galiza, ao lado de José António de La Riera, companheiro de viagem desta aventura, para apresentar o resultado final do levantamento do Caminho desde Lisboa. Finalmente, após 2 anos apenas faltava apenas sinalizar o Caminho e no início de 2015 inicia-se o périplo de reuniões com os municípios, fruto da parceria com o Centro Nacional de Cultura – que ia utilizar o Caminho em sentido inverso entre o Porto e Ansião para chegar a Fátima -, e o seu envolvimento na sinalização do caminho.

          Infelizmente, e apesar do protocolo formal estabelecido em Coimbra em Dezembro de 2004 com o CNC, este apenas serviu para atrasar a obra dois anos. Não houve compromisso nem empenho, apenas desculpas ou silêncio.

30cuerpo_9244          E assim em 2006, mais uma vez Portugal e Espanha deram as mãos e em cooperação com a AGACS, voluntários de ambos os países sem o apoio de qualquer instituição deram o seu tempo e o suor – como já havia ocorrido anteriormente no trajecto –, ofereceram-se para sinalizar o Caminho.

          Chegados de todas as regiões autónomas de Espanha e de diversos pontos de Portugal veio gente para ajudar a levar para a frente a antiga rota e a 14 de maio de 2006 o trabalho esta finalizado, finalmente os peregrinos voltavam a poder percorrer integralmente a rota entre Lisboa e Santiago de Compostela.

Camino central Portugues_Página_01          Mas o trabalho não estava completo e logo voltamos a meter mas à obra num novo trabalho conjunto (Português e Espanhol) e foi publicado o primeiro guia integral de todo o itinerário entre Lisboa e Santiago mais uma vez graças ao apoio da Associação Galega que permitiu que a publicação fosse apresentada em Novembro de 2006 no mosteiro de Sobrado dos Monxes.

          Finalmente o essencial estava concretizado e os peregrinos voltaram a percorrer este caminho renascido como fizeram durante centenas de anos e neles estamos unidos como sempre, amantes Caminho… portugueses e espanhóis.

n_a_011          Depois deste marco, que reiniciou a passagem de peregrinos vindos desde Lisboa, muita coisa mudou na velha rota, coisas há que nunca se apagarão da memória. Recordo o dono de um olival lá para os lados de Casais (Tomar) que quando me viu no meio da serra me interpelou sobre o que fazia por ali, e do alto da sua idade avançada, contou-me as histórias de outros tempos em que por ali ainda passava gente a pé, por onde seguia o antigo caminho e a origem do nome do lugar de Soianda e só ficou por explicar a origem das ruinas de onde “saiam feitos padres”; da senhora idosa no Zambujal, debruçada no beiral da janela, a indicar-me por onde na sua infância ainda passavam os peregrinos; ou aquele morador do Poço – emigrado em França – que após nos convidar para o seu magusto nos deu a conhecer a suposta casa de muda de D. Diniz na localidade, ou das longas e prazerosas tardes de conversa com o padre Jacinto Nunes, um apaixonado pelas coisas da sua terra Alvaiázere e a história dos dois peregrinos assassinados lá para os lados de Maçãs do Caminho durante uma tempestade… estes são, apenas, alguns dos muitos momentos que ficaram gravados na nossa memória.

img_noticia_15864          Mas o Caminho não ficou parado… nem o trabalho! Passado um ano (2007) todas as setas deste trajecto entre Lisboa e o Porto foram repintadas por dois peregrinos espanhois que tinham participado na empreitada de 2006 e, em 2008, graças à previdência de mais um amigo peregrino do outro lado da fronteira, a sinalização do Caminho Central é enriquecida nas suas zonas florestais com setas amarelas de madeira que estrategicamente colocadas em sítios bem visíveis substituindo as setas amarelas pintadas nas árvores ou em pedras que muitas vezes eram deslocadas.

          Após esses trabalhos – e de uma nova repintura da sinalização de todo o itinerário (final de 2010 e início de 2011) trabalho integralmente feito por voluntários portugueses – a administração regional e local decide avançar com uma sinalética institucional.

          Sem perguntar a quem fez o trabalho de investigação e com ideias turísticas pré concebidas, esta sinalização está muitas vezes colocada de forma errónea e até mesmo atrevese a desviar o caminho do seu itinerário por motivos que não o da peregrinação. Como diz o ditado “Só sabe quem faz”, e para algumas instituições admitir que não o fizeram era admitir, perante a administração pública, o latrocínio de uma investigação que não foi sua.

          Mas esse não era, nem é o nosso caminho. É com esse espirito e intuito de tentar recuperar o velho caminho para os peregrinos que no final de 2011, com a ajuda do presidente desta Confraria de Santiago foi recuperado aproximadamente dois (2) quilómetros de caminho na Serra de Negrelos.

          E assim será… sempre no Caminho.

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