14 – A PROVA DO C14

 Tradução por Paulo Santos

         Completando a análise multidisciplinar, procede uma valorização da prova do Carbono 14. Ainda que sem a pretensão técnica exaustiva, importa ver qual seria a situação de uma possível peritagem rádio carbónica na necrópole compostelana.

Carbono 14          A datação por Carbono 14 é um método radiométrico baseado na relação constante dos organismos vivos entre os isótopos do carbono (C12 e C14). Quando o organismo morre esta relação muda, pela instabilidade e descomposição radioativa C14 com uma velocidade no tempo bem conhecida, o que permite calcular o tempo passado desde a morte do organismo a partir da diferença entre a relação C-12/C-14.

          Está considerado como um método físico-químico absoluto de datação, pelo que se costuma pensar que o C14 faculta com toda a precisão a idade de uns ossos antigos como um termómetro apresenta a temperatura, e vê-se nesta opção científica uma solução segura à questão jacobeia. A realidade está bem longe de ser assim tão simples. Para uma mostra muito específica e bem definida pode ser, efetivamente, singelo e seguro, mas a peritagem arqueológica dos restos compostelanos não são só o estudo de uns restos concretos, mas sim os de uma necrópole de vários séculos de evolução. O seu estudo completo requereria ser combinado com a determinação de DNA. As provas de C14 e DNA nada têm que ver entre si, são técnicas diferentes que fornecem dados muito distintos. O uso independente do C14 é próprio de peritagens em situações muito antigas, anteriores inclusive ao aparecimento do homem na Terra, em que são dadas aproximações de milhões de anos, onde um erro de uns quantos séculos é insignificante. Em peritagens de restos humanos é especialmente válido para restos com datados até 45/50 mil anos. Hoje em dia há laboratórios que aplicam a espectrometria do acelerador de partículas (AMS), conseguindo datações fiáveis até 80 mil anos, tempo em que as margens de erro são ainda muito amplas.

          Mas em peritagens arqueológicas de restos humanos, sobretudo em necrópoles antigas e multiculturais, a combinação de C14 e DNA é necessária. O objetivo é identificar que fragmentos de DNA e mesmo do C14, pertencem ao mesmo indivíduo, permitindo uma datação correta. Se a formação da necrópole é de vários séculos e inclui a sucessão de várias culturas, como é o caso singular da necrópole compostelana, a combinação de C14 e DNA é imprescindível para obter resultados que possam ter um valor interpretativo sistematizável. Haveria portanto que aplicar os dois meios de prova a uma ampla amostra dos fragmentos da urna, se não a todos, que por ter estado mais tempo no exterior do que no interior da mesma, e sofrer deslocamentos, fragmentação, misturas ou contaminações, teria que se alargar a amostragem não apenas à totalidade da Edícula (nicho), mas também ao subsolo da catedral.

C14-1          Nestes casos o C14 pode definir corretamente as datas de início e fim dos enterros, como também pode estimar com fiabilidade por critérios arqueológicos comuns (estratigrafia), mas a identificação de uns restos, podem ou não ser compatíveis com os de uma determinada personagem da história e teria escasso ou nulo valor. A sua realização requereria a raspagem de uma pequena quantidade de matéria a cada fragmento para análise, e tratando de um conjunto que durante 20 séculos sofreu deslocações, fragmentações e misturas ou contaminações, seriam milhares de fragmentos ósseos procedentes de túmulos misturados e sobrepostos, o que obrigaria a uma amostragem altíssima de duplas determinações, para detetar a cronologia, valorizar o engano e estimar a avaliação do grau de mistura e contaminação geral que permita fazer conclusões rigorosas e que implicaria um extraordinário e complexo desenvolvimento de novas escavações arqueológicas e de medidas de segurança e controle de todo o subsolo catedralicio. O estudo, além de uma paralisação da atividade do templo, requeria uma grande quantidade de meios e um custo muito elevado, que o seu financiamento seria somente recomendável abordar no caso de proporcionar uma informação necessária e relevante, respondendo a um objetivo claro e viável de alcançar, e oferecesse um benefício científico preciso. A indicação de um estudo assim só poderia sustentar-se na necessidade de averiguar algo imprescindível com uma garantia plena de resolução, o que não acontece com nenhuma das duas premissas básicas. As possibilidades de existência de um intervalo cronológico muito amplo, de vários séculos, entre os restos mais antigos e os menos antigos do conjunto, são tão elevadas que invalidariam a pretendida eficácia. Constatar uma antiguidade coetânea nos tempos de Cristo, é mais um desejo que um proveito garantido pela ciência e, não sendo possível consagrar identidades, as possibilidades de que a prova fosse resolutiva são escassas.

          Também se poderia submeter-se os restos à digitalização, ressonância magnética, tomografia axial computorizada, ecografia ou gamagrafia óssea, provas de altíssimo valor científico, mas que também não possuem nenhuma elucidação pelo mesmo critério. Também conviria analisar a necrópole que conservou os restos apostólicos de S. Pedro e S. Pablo, ou de alguns Santos cuja identidade se questiona, personagens históricas, políticos, militares, imperadores, etc., sempre se pode encontrar um critério histórico importante que possa justificar a suposta oportunidade dessas determinações.

          É fácil questionar os resultados do passado a partir da tecnologia de hoje, mas tanto ou mais questionável é pensar que o C14 possuí a chave da incógnita, e não existem garantias de resolver com precisão uma datação tão seletiva perante uma mostra tão aberta, e os profissionais são os que desvalorizam a necessidade e a capacidade de resolução desta prova. Muitos sugerem que a prova se restrinja aos restos que se guardam hoje na urna, e fosse utilizado apenas através o C14, mas este é um critério insuficiente para os próprios especialistas, porque os restos estiveram um século no túmulo e muitos séculos fora do mesmo, o que exige estudar todo o meio em redor com dupla determinação analítica. As possibilidades de obter resultados inconclusivos são muito elevadas, referindo os especialistas, como “pouco decisivo e não determinante” o estudo, pelo que descartam a indicação técnica do mesmo, que indicam como “não recomendável, e nada determinante”, para além de ineficiente pelos seus elevadíssimos custos. Especialmente as possibilidades de poderem descartar Santiago ou Prisciliano por critérios de compatibilidade cronológica seria inútil, e com altíssima probabilidade de que fosse positiva para ambos.

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