11 – EVOLUÇÃO DO SEPULCRO E O INÍCIO DO CULTO LOCAL

Tradução por Paulo Santos

          Compete descrever as quatro fases reconhecidas arqueologicamente, dentro de uma sequência em que de um mausóleo pagão se chega a uma necrópole paleocristã, de acordo com um processo dinâmico que se instaura no decurso de dois séculos.

          A primeira, é a fase do Mausóleo romano pré-cristão, no início ou meados do Século I. Trata-se do panteão funerário da nobre família hispano-romano “Atia Moeta”, título que está descrito no sepulcro do mausóleo (que depois veremos com mais detalhe). A partir de um certo momento cronológico, acolhe o enterro de uma personagem emblemática compatível com o Apóstolo Santiago.

Mausoleo romano precristiano 1Mausoleo romano precristiano 2

          A segunda, é a fase da Cristianização e o início do culto sepulcral, do início a meados do Século II. As sepulturas das personagens identificadas como o Apóstolo Santiago, o Maior, e seus discípulos Atanásio e Teodoro, passam a ocupar a prioridade do mausoléu e possuem localização de destaque na Edícula (nicho), e na parte superior da mesma, instala-se um altar onde é prestado o culto, e que é construído a partir do que foi o sepulcro inicial mencionado. Isto é, o que era um mausoléu privado, é convertido num templo cristão de culto coletivo.

Cristianización y culto 1Cristianización y culto 2Cristianización y culto 3

 

         

         

          A fase seguinte, é de Ocultamento, entre meados e finais do Século II. Como medida de segurança, proteção e defesa, é coberta a Edícula (nicho) através de um muro envolvente abobadado de pedra lavrada e quadrangular, incluindo a construção de um muro de contenção no terreno alinhado com o mausoléu, e desta forma é provocado a ocultação por debaixo da terra, de parte ou de todo o edifício, o que origina a proliferação, espontânea ou provocada, de vegetação abundante que deixa soterrado o conjunto.

Ocultamiento 1ocultamiento 3ocultamiento 2

 

         

                                 Finalmente, a fase de Necrópole Paleocristã. No final do Século II surgem as primeiras sepulturas e a partir do Século III sucedem-se os enterros cristãos até o Século VII, entretanto suspendidos devido à despovoação (fome, doenças), em que a atividade local é inexistente, e submerge no lugar uma densa vegetação e o consequente “esquecimento”, onde permaneceu durante séculos ocultado até ao momento da descoberta e popularização. Com o tempo, sucedem primeiro as sepulturas romanas, a seguir as suevas e depois as medievais, onde sobressalta a existência de elementos comuns que demonstram um culto corrente que indica:

          1º todas as sepulturas estão orientadas com as cabeceiras para oeste e os pés para oriente;

         2º todas são de inumação, sem vestígio de depósitos cinerários (comum em outras formas funerárias antigas);

      3º ausência de símbolos e utensílios pagãos: utilidades metálicas, peças ornamentais, moedas ou enxoval funerário;

         4º os cadáveres jazem estendidos na posição deitados de costas, cruzando as mãos sobre o abdómen.

         A convergência destes dados, sistemáticos através dos séculos, sugere uma origem cristã da necrópole, desde as mais antigas sepulturas.

Necropolis y camuflaje 1necrópolis y camuflaje 2

 

         

          A convergência dos dados da Edícula (nicho) e do seu meio, agora no sobsolo da catedral, confluem num culto paleocristão centrado na veneração de uma personagem emblemática desde o Século I. Como podemos explicar a existência de um cemitério cristão na Galiza antiga?

Kirchbaum         Como assinalou o padre Kirchsbaum, em Roma, é estranho que apesar da duração do trabalho crítico e do crescimento da oposição, ninguém até hoje, tem conseguido dar uma explicação satisfatória do fenómeno compostelano, que não fosse a do núcleo essencial da Tradição.

Esta entrada fue publicada en 11 - EVOLUÇÃO DO SEPULCRO E O INÍCIO DO CULTO LOCAL, N- A TRADUÇÂO PARA O PORTUGUÊS. Guarda el enlace permanente.

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